
FELICIDADE AUTÊNTICA
Por Vera Saldanha*
A busca da felicidade é uma tônica constante na vida de todo ser humano. Quase todas as nossas ações são permeadas pelo desejo de encontrar a felicidade, até mesmo aquelas voltadas para a espiritualidade, pois é o bem-estar e o conforto que advém da fé, que nos torna cada vez mais fervorosos.
No âmbito social, os políticos engendram seus discursos com a promessa da realização dos desejos que vão ao encontro da felicidade almejada pelo cidadão. O consumismo é estimulado pela fantasia da felicidade que ele traz colado em si.
Quem de nós não ouviu falar de sofrer na terra para ser “feliz” no céu ou abdicar dos bens materiais e herdar a riqueza do divino. Observamos então a humanidade caminhando incessantemente, cada vez mais rápida, cada vez com mais desejos e necessidades para encontrar essa tal felicidade. Entretanto parece que esta visão milagrosa da felicidade é um grande equívoco, acreditar que ela venha de fora do indivíduo, que é preciso sofrer, ter muito dinheiro para depois então poder “adquirir” a felicidade. Ver a felicidade como um bem de consumo, algo de fora para dentro, confundir a natureza essencial com o ter circunstancial.
A felicidade autêntica é um estado do Ser, independe do ter, do fazer ou receber. É algo intrínseco a subjetividade genuína. Pode sim ser despertada, estimulada, fortalecida e até construída a partir da sua própria essência, mas há que se ter a consciência da centelha interna da espiritualidade.
No âmbito da economia atualmente já se cogita a reavaliação do conceito do PIB (Produto Interno Bruto) ou até sua mudança, incorporando o processo do FIB. Felicidade Interna Bruta é um indicador de progresso que inclui em sua abordagem aspectos sociais, culturais, ecológicos, psicológicos e espirituais. Um aspecto relevante do FIB é o seu pressuposto de que a autêntica evolução da sociedade humana só se dá quando o desenvolvimento material e espiritual ocorre lado a lado complementando e reforçando-se um ao outro.
Em nosso mundo contemporâneo é fundamental cada vez mais olhar para a felicidade autêntica, mais do que um Planeta de expiação estamos caminhando para um momento de regeneração e evolução na Terra. A conexão com a felicidade autêntica permite a libertação de múltiplos desejos, do joguete dos dramas e sofrimentos da alma. É uma reorientação dos sentidos, é ter a clareza da finalidade do ser e estar feliz, é um novo olhar, uma nova ação.
Assim, deixamos um convite e reflexão a todos: felicidade como um possível caminho para evoluir. Um sentimento a ser cultivado, um valor a ser conquistado.
*Vera Saldanha é psicóloga, doutora em Transpessoal (Unicamp), autora de “Psicologia Transpessoal – Um Conhecimento Emergente da Consciência” – Editora Unijuí – e diretora de Pós-Graduação em Psicologia pela Alubrat.