Palavra - Pres. do Congresso



Rede da Felicidade Autêntica

 

 Há algo que nos irmana, além de todas as diversidades étnicas, históricas, geográficas, sociais, culturais e ambientais: todos sofremos e todos buscamos a felicidade!
Portanto, a existência e pesquisa desta polaridade, sofrimento-felicidade, tem um valor essencial. Como afirmava o querido e perene Pierre Weil, a fonte de todo sofrimento é o apego, que conduz ao medo e ao stress que, por sua vez, determina todo tipo de sofrimento e de enfermidade. Por outro lado, o apego decorre da fantasia da separatividade. O apego ou identificação é um natural mecanismo compensatório, diante do sentimento básico de desamparo existencial, provocado pela ilusão de que estamos desconectados da totalidade.
Parece-me justo, então, indagar: haverá também, para a felicidade, uma fonte comum, uma causa básica? Sustento que sim: a consciência de inteireza. É o que traduzo afirmando que a felicidade é uma função natural de um mínimo de integração e de integridade conquistadas. O termo grego holos, bem como o hebraico, shalom, da mesma raiz de shalem, apontam para o mesmo significado: inteiro, total. Logo, a felicidade e a paz são expressões complementares e naturais da consciência holística.
O ser humano é um projeto de total complexidade, já que integra, em si, o infra-humano e o supra-humano. Um ser humano pleno é um microcosmo que recapitula e contêm todos os reinos, uma ponte entre a terra e o céu, entre o pó e a luz.
O paradigma transpessoal é uma relíquia de valor inestimável, um portal para este horizonte amplo da integração, já que fornece e alia asas às raízes do pessoal, possibilitando um devir evolutivo, uma solução vertical para o drama da existência. Como indicava, sabiamente, o criador da terapia iniciática, Karlfried Graf-Durckheim, saúde plena é quando a Essência transparece na existência. Este é o real segredo, que conduz ao oásis de uma plenitude possível, no coração do deserto que atravessamos, onde nos aguarda um poço d’água viva de uma completude sempre inacabada, de onde emana a autêntica felicidade e a verdadeira paz.
Eis o tema e o desafio, tão fundamentais e oportunos, para os quais o VII Congresso Transpessoal Internacional nos convida e convoca. É tempo de despertar e de conspirar pela reconstrução do templo da inteireza, pois tudo que é inteiro é justo, é belo, é saudável, é sagrado e é feliz. Em marcha!



Roberto Crema
 


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